Notícia

O xerife do mundo e as eleições brasileiras

Jorge Jatobá (Artigo publicado no JC)
13 de Janeiro de 2026

13 - Jan

O avanço da extrema direita nos EUA terá repercussões no resto do mundo, inclusive no Brasil

Em fevereiro de 2025 escrevi um artigo sobre a ascensão de Donald Trump ao Governo dos EUA. O texto publicado neste Jornal do Comércio argumentava que o mundo tinha, com a Presidência de Trump, "mudado para pior". Os fatos de 2025 e os mais recentes, já deste ano de 2026, confirmaram a minha previsão. A violação do direito internacional e à soberania dos estados nacionais, o desrespeito às instituições multilaterais e, até mesmo, aos outros poderes do sistema de governo norte-americano, evidenciam uma perigosa aventura geopolítica que ameaça a paz, inclusive nas Américas, produzindo incertezas e riscos. Trump, o Presidente-Empresário, governa os EUA e quer governar o resto do mundo, colocando os interesses econômicos e financeiros dos EUA acima daqueles dos outros países. A grandeza dos EUA, aos olhos de Trump, está aumentando, mas às custas de retrocessos geopolíticos e econômicos que afetam negativamente as relações econômicas internacionais e os pactos políticos, comerciais e militares que foram construídos depois da Segunda Guerra Mundial, para evitar que o mundo se confrontasse novamente com os horrores de um novo e aterrorizante conflito, agora na era nuclear, em escala global. Trump quer se tornar o Xerife do mundo!

Todavia, conceituados analistas de veículos liberais como The Economist e o New York Times argumentam que tais inciativas, nos médio e longo prazos, a menos que sejam revertidas por futuros governos vão, na verdade, operar contra os interesses dos EUA , isolando-o do restante da comunidade das nações.

O avanço da extrema direita nos EUA terá repercussões no resto do mundo, inclusive no Brasil que, em 2026, terá eleições em ambiente ainda profundamente dominado pela polarização e pelo ódio que aumentou nos segmentos mais extremados à direita da sociedade brasileira depois dos julgamentos e condenações, pelo STF, dos grupos dirigentes da tentativa de golpe que, felizmente não se concretizou, pela falta de apoio dos comandantes do Exército e da Aeronáutica, mas que ameaçou, perigosamente de rompimento, a democracia brasileira por lideranças saudosas, como Bolsonaro, do golpe militar de 1964.

A pergunta que se faz agora é como o Governo Trump vai- se é que vai- tentar influenciar os resultados das eleições presidenciais brasileiras em 2026. Essa influência pode se dar por iniciativa do Governo Trump ou por demanda da extrema direita comandada pelo Partido Liberal (PL) que pouco ou nada tem de liberal com as suas conservadoras lideranças evangélicas. Em 2025, a família Bolsonaro, por meio do Deputado Eduardo operou, por motivos políticos e ideológicos contra os interesses brasileiros usando seus contatos no Governo Trump. O resultado foi um tarifaço de 50% sobre os produtos exportados pelo país para os EUA, depois reduzidos, mas não eliminados, graças aos esforços da diplomacia brasileira que desmontaram a falsa narrativa da família Bolsonaro. Essas falsas alegações conduziram também às sanções do Governo norte-americano, por meio da Lei Magnistky, contra alguns membros do STF e suas famílias , depois revertida para o Ministro Alexandre de Morais. São exemplos chocantes de como interesses de poder vinculados a uma família podem ser prejudiciais aos interesses brasileiros, atingindo a soberania nacional e a independência do Poder Judiciário.

Tudo indica que a politica imperialista do Governo Trump vai encontrar apoio na extrema direita brasileira que, ignorando a pretensão de alguns líderes mais moderados, lançou Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Trump defende, dentro e fora dos EUA, os interesses americanos. A família Bolsonaro defende os seus, passando por cima da soberania nacional e daqueles do Brasil. É importante que os empresários e a sociedade brasileira, no seu conjunto, não se esqueçam desse fato.

Cabe ao Brasil fazer valer seu nacionalismo e a defesa da sua soberania que serão atirados ao lixo lastreados por interesses de uma família e pelo obscurantismo político-ideológico do PL. É bem possível que o Governo Trump crie mecanismos de pressão e iniciativas para favorecer a extrema direita brasileira nas eleições deste ano. Cabe aos brasileiros se posicionar contra essa eventual pretensão, assegurando independência nas suas escolhas, tanto à direita quanto à esquerda do espectro político. Temos de fazer boas escolhas para atender aos nossos interesses e não àqueles de potências estrangeiras que só visam aos seus. Governos de países não devem funcionar motivados por simpatias ou antipatias pessoais e/ou político-ideológicas, mas por legítimos interesses que atendam às necessidades de desenvolvimento econômico e social dos seus cidadãos. Vamos aguardar!

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