Notícia

Conjuntura de crises em tempos de disruptura amplia desafios

Tania Bacelar
06 de Abril de 2022

06 - Abr

Artigo publicado originalmente no Movimento Econômico em 05 de março de 2022 e escrito por Tania Bacelar de Araujo

A conjuntura, em tempos normais, precisa ser lida sob o manto dos movimentos mais amplos e profundos promovidos por mudanças estruturais.

Mas, o momento atual é ainda mais instigante, pois, estruturalmente, se está, mundialmente, num desses momentos de disruptura, onde novos padrões irromperam e tendem a se tornar hegemônicos – como impõe a nova revolução cientifico-tecnológica, em especial a passagem da era analógica para a digital – ou são fundamentais para um novo equilíbrio nas relações como denuncia a crise ambiental, no tocante à relação sociedade humana x natureza. Momento no qual o velho não resiste à força do novo!

Um desses movimentos estruturais é o da construção de nova geopolítica mundial, com o crescente peso da Ásia, depois de séculos de hegemonia do mundo ocidental.

É nesse contexto que se inscreve a absurda guerra na Europa, protagonizada pela Rússia, mas que envolve diretamente a Europa Ocidental e os Estados Unidos. Isso, sem falar no sinal de alerta de repetidas incursões aéreas da China em Taiwan e de lançamento de foguetes de longo alcance pela Coreia do Norte.

E haja tensão e, pior, crises humanitárias, como se não bastassem as ocorridas em tempos recentes na Síria, Palestina, Iêmen, Myanmar, Darfur (Sudão) e outras partes da África. Afinal, o “pau quebra sempre em cima do mais fraco”, como ensina a sabedoria popular.

Por sua vez, a pandemia da Covid 19 se impôs desde 2020 e, mesmo não sendo movimento estruturante, surgiu com a força de elemento perturbador, altamente desafiador e introduzindo “choque externo” à dinâmica econômica. E quando parecia que íamos respirar, com o avanço da vacinação promovendo a passagem gradual para quadro de endemia, como sempre acontece, surge no cenário, uma guerra.

O Brasil, já imerso em múltiplas crises nos anos recentes, tem, assim, uma conjuntura adversa a marcar o ano de 2022.

Na economia, as projeções não são nada animadoras. Atividade econômica em vôo baixo faz as projeções internacionais sinalizarem para crescimento do PIB muito modesto: 0,5% segundo a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), o mais baixo da América Latina e Caribe, cuja média estaria em 2,1%, e 0,3%, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Na dimensão social, em paralelo ao retorno do país ao Mapa da Fome, o mercado de trabalho se encontra ainda com alto desemprego, forte informalidade e com massa de rendimentos em termos reais em queda. Um vilão relevante para as famílias é a inflação, que deteriora e renda e comprime o consumo. Ela retornou com força em tempos de pandemia – pulando de patamar de 2% no início de 2020 para 10,76% em fevereiro de 2022. E volta a receber novo impulso em consequência da guerra em curso na Europa, com imediato impacto no mercado de commodities, afetando, de saída, o petróleo e os fertilizantes que impulsionam preços de combustíveis e alimentos – coração da inflação recente no Brasil – e corroendo a renda das famílias.

Nesse contexto, o mercado já trabalha com Selic a 13,% em 2022. E haja trava na retomada do crescimento da atividade econômica.

Na dimensão política, o ambiente de 2022 também será fortemente influenciado pelas eleições nacionais e estaduais de outubro. Sobreviver razoavelmente bem a este fato político é um desafio relevante. Nos meses iniciais deste ano, os agentes estratégicos têm se concentrado, aparentemente, em discussões sobre as chapas presidenciais e de governadores. No entanto, corre em paralelo, e é fundamental que seja dada muita atenção pela sociedade, a eleição para o Congresso Nacional e a formação de bancadas partidárias e temáticas (estas ultimas, relevantes nos tempos brasileiros atuais). Isso em tempos de Fundo Eleitoral de tamanho absurdo, em especial em face de outras urgências do país, comandado pelo Centrão.

O que se precisa é cobrar, em especial dos candidatos a Presidente – dado o peso do Governo Federal nas políticas públicas – é a explicitação do projeto de desenvolvimento do país que pretende patrocinar. Isto, porque, face ao movimento estrutural de disrupção e à emergência de novos tempos, o Brasil precisa se reposicionar no mundo. No século XX, se firmou como potência industrial, mas este momento se exauriu em termos do modelo anterior. Boa noticia: a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) vem a publico pela voz de seu economista-chefe propondo uma politica industrial moderna, ancorada no conceito ESG, como no debate mundial. Pelo menos isso!

Haja desafios! Vamos enfrentá-los!

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