Notícia

O Nordeste precisa ser revisitado

Tania Bacelar
23 de Novembro de 2021

23 - Nov

Artigo publicado orinalmente em 08 de outubro de 2021.

A região Nordeste, vista na dimensão territorial oficial, do Maranhão à Bahia, teve grandes dificuldades para se inserir no Brasil em rápida industrialização, marca nacional do século XX, tornando-se objeto central do debate nacional sobre as desigualdades regionais.

Desde período anterior, o Nordeste aparecia no cenário nacional como “terra de arribação” – pela dimensão da emigração de amplos contingentes de nordestinos para outras regiões brasileiras – e lócus principal da pobreza, liderando os indicadores sociais desfavoráveis do país. Mais recentemente, quando o Brasil pós Constituição Federal de 1988 avançou na formulação e implementação de políticas assistenciais, com destaque para as de transferência de renda, consolidou imagem de “região problema”. O que, em consequência, empana suas potencialidades.

Mas, o Nordeste mudou muito nas últimas décadas. E precisa ser revisitado.

Diferentemente da trajetória nacional – de perda de peso relativo da indústria de transformação do PIB – dados do IBGE mostram que entre 2000 e 2017, por exemplo, o Sudeste declinou de 65% para 55% sua participação no Valor de Transformação Industrial (VTI) nacional, enquanto o Nordeste subiu de 8,5% para 10,5%. Em termos de emprego industrial, entre 2000 e 2018, o Nordeste apresentou crescimento de 56%, contra média nacional de 40%. É o inverso da trajetória regional observada quando o país avançava célere na industrialização. Mas a imagem de uma região de pouco dinamismo industrial permanece.

A emigração inter-regional – que funda a imagem de “terra de arribação” – arrefeceu, com a migração rural-urbana recente se destinando principalmente às cidades de porte intermediário da própria região. Nos anos recentes essas cidades expandiram sua base econômica, sobretudo nas atividades terciárias (comércio e prestação de serviços), muitas delas abrigando Universidades, Institutos Federais e outras instituições educacionais e de serviços de saúde. Aliás, os dois “cases” de avanço relevante nos indicadores educacionais no Brasil recente são nordestinos: o Ceará no ensino fundamental, e Pernambuco no ensino médio.

A base agropecuária nordestina também mudou muito. O velho tripé “gado-algodão-policultura” que estruturava a economia do semiárido perdeu o algodão, o que desmontou sua lógica organizativa. O algodão agora surge em fazendas especializadas em outros territórios da região e a economia do semiárido vem fortalecendo outras atividades como a fruticultura irrigada, onde tem água; a avicultura; a ovinocultura e a piscicultura. Enquanto isso vem valorizando outros potenciais, em especial sua rica biodiversidade, que busca dialogar com os avanços da bioeconomia, na direção dos fármacos, dos cosméticos, dos suplementos nutricionais, dos conservantes… É outra agenda!

Na porção Oeste, antes pouco ocupada, o engate na dinâmica do agronegócio inscreve a região no agora conhecido “MATOPIBA” – sigla que representa os Estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia – fazendo o Nordeste ganhar peso nesta base produtiva nacional.

Arrefece, assim, a força do dinamismo demográfico e econômico dos espaços litorâneos.

Nesses anos de pandemia, dois indicadores desmentem a expectativa de que o Nordeste – visto como região pobre e frágil – fosse a mais afetada.

Primeiro, a dinâmica econômica, como mostra o Gráfico abaixo. A economia nordestina segue de perto a trajetória nacional, com vantagem em alguns momentos como no auge do impacto do “Auxilio Emergencial”.


Segundo, no desempenho regional do pior indicador da pandemia: o número de mortes por 100 mil habitantes. Todos os Estados do Nordeste, sem exceção, estão abaixo da média nacional, segundo dados do Ministério da Saúde.

No momento presente, quando a seca e a crise energética marcam a conjuntura nacional, o endereço do problema é o Sudeste/Sul. E é do Nordeste que vem a energia que ajuda a enfrentar a situação. De região pobre na oferta de energia, o Nordeste engata na era das energias renováveis e se torna exportador desse insumo estratégico, tendo potencial para muito mais.

Já é hora de revisitar o Nordeste, e mudar a imagem da região!

Notícias Recentes

Soluções

Nós usamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência em nosso site.
Ao utilizar nosso site e suas ferramentas, você concorda com a nossa Política de Privacidade.

Ceplan - Política de Privacidade

Esta política estabelece como ocorre o tratamento dos dados pessoais dos visitantes dos sites dos projetos gerenciados pela Ceplan.

As informações coletadas de usuários ao preencher formulários inclusos neste site serão utilizadas apenas para fins de comunicação de nossas ações.

O presente site utiliza a tecnologia de cookies, através dos quais não é possível identificar diretamente o usuário. Entretanto, a partir deles é possível saber informações mais generalizadas, como geolocalização, navegador utilizado e se o acesso é por desktop ou mobile, além de identificar outras informações sobre hábitos de navegação.

O usuário tem direito a obter, em relação aos dados tratados pelo nosso site, a qualquer momento, a confirmação do armazenamento desses dados.

O consentimento do usuário titular dos dados será fornecido através do próprio site e seus formulários preenchidos.

De acordo com os termos estabelecidos nesta política, a Ceplan não divulgará dados pessoais.

Com o objetivo de garantir maior proteção das informações pessoais que estão no banco de dados, a Ceplan implementa medidas contra ameaças físicas e técnicas, a fim de proteger todas as informações pessoais para evitar uso e divulgação não autorizados.

fechar