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O QUE ESPERAR DE 2021: ECONOMISTAS APONTAM DIAS MELHORES A PARTIR DO SEGUNDO SEMESTRE

Ceplan Consultoria
03 de Fevereiro de 2021

03 - Fev

Um ano após o início da pandemia do novo coronavírus e dos seus efeitos devastadores na vida dos brasileiros, a Ceplan Consultoria, apresentou nesta quarta, 3, a Análise Ceplan – o que esperar de 2021, um estudo da conjuntura econômica com perspectivas e projeções que dão base a empresários e executivos para traçar estratégias e tomar decisões em seus negócios. O evento, realizado em parceria com o site Movimento Econômico, foi patrocinado pelo Banco do Nordeste (BNB) e contou com o apoio da Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe) e da Surfix Datacenter.

Na apresentação, transmitida pelo canal do Youtube da Fiepe e aberta ao público, os economistas e sócios-diretores da Ceplan, Tania Bacelar, Jorge Jatobá e Paulo Guimarães, o economista-chefe do Banco do Nordeste (BNB), Luiz Esteves, e o também economista e gerente de Relações Industriais da Fiepe, Mauricio Laranjeira, fecharam um consenso de que a recuperação econômica, seja local ou global, depende dos resultados esperados da vacinação contra a Covid-19 que está sendo realizada em quase todo o planeta. O empenho, porém, só deve fazer efeito a partir do segundo semestre deste ano, considerado um ano de transição para a superação da crise sanitária mundial.

Os efeitos na economia irão depender, porém, das características estruturais de cada região, mas a expectativa é de que 2021 será de crescimento, ao contrário de 2020, ano de queda generalizada em todo o mundo. Segundo o Banco Mundial (Bird), no ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) caiu -4,3%; para a OCDE foi -4,2% e a estimativa de queda do Fundo Monetário Internacional (FMI) é de -3,5%.

Para 2021, as projeções de crescimento variam entre 5,5% (FMI); 4,2% (OCDE) e 4,0% (Bird) apontando uma significativa reação da China, dos países de Economia Avançada e dos Emergentes e em Desenvolvimento. Ao contrário de 2020, o comércio internacional também crescerá a taxas relevantes em 2021.

Pela previsão do Bird, o PIB da Índia irá aumentar 11,5% este ano, percentual muito acima da maioria dos países, e superior à elevação de 8,1% projetada pelo banco para a China. “Mas a consultoria britânica CEBR prevê que a economia chinesa ultrapassará a dos Estados Unidos até 2028, cinco anos antes do que era esperado”, diz Paulo Guimarães, responsável pela apresentação do cenário mundial da Análise Ceplan.

BRASIL PODE REAGIR

No Brasil, a previsão também é de crescimento do PIB, variando entre 2,6% e 3,6%, segundo agências internacionais, e chegando a 3,8% de acordo com o nosso Banco Central. Para o economista Jorge Jatobá, começamos o ano com um repique da pandemia, num período de fragilidade econômica e de alto endividamento do setor público, e só podemos ter uma melhora no segundo semestre quando a imunização estiver mais avançada, favorecendo o setor de serviços, responsável por 70% do PIB brasileiro, e que precisa da retomada da mobilidade de pessoas para emergir.

Durante a pandemia a retração da atividade econômica se verificou entre abril e novembro de 2020, com pico de -14,8% em maio até fechar dezembro em -4,2%. Mesmo assim, apenas as regiões Sudeste e Nordeste deixaram de crescer. Em 2021, na opinião de Jatobá, é a velocidade da vacinação, reduzindo os níveis de contágio pelo coronavírus e permitindo a volta das atividades presenciais, que dará fôlego à retomada na indústria e nos serviços.

O reflexo virá na redução da taxa de desocupação que, em novembro passado, estava em 14,1%. No entanto, o desemprego e a informalidade continuarão elevados. Apesar de todas as dificuldades de 2020, o emprego formal fechou o ano com o mesmo estoque de trabalhadores com carteira assinada que tinha em janeiro, antes da pandemia: 38.952 milhões.

A crise também não conseguiu derrubar todos os segmentos da indústria e alguns chegaram a apresentar crescimento, ainda que modesto, como os 4,8% registrados em petróleo, derivados e biocombustíveis. Mas a maior parte teve perdas na produção, variando de -3,6% em aparelhos e materiais elétricos, a 31,5% em veículos automotores – índice aproximado dos -35% em Portugal e -25% na Europa em 2020.

Mas, se o Brasil saiu da rota dos investimentos estrangeiros no ano passado, com queda de US$ 35 bilhões na entrada do Investimento Direto no País (IDP) e evasão de US$ 88 bilhões em capital especulativo, a previsão é virar o jogo em 2021 recebendo US$ 60 bilhões em IDP.

Com os juros reais negativos, num patamar historicamente baixo, a taxa Selic – que baliza a inflação – manteve-se em 2%, em janeiro de 2021, repetindo a mesma taxa registrada desde agosto passado. Porém, apesar desse comportamento contido para o padrão brasileiro, a inflação voltou a subir, puxada pelo aumento de 29% nos preços das commodities e da variação do câmbio em 2020, e há uma tendência de continuar em alta este ano.

Um problema apontado pelos analistas é a elevada dívida pública do Brasil, uma das interfaces da questão fiscal que gera incertezas e insegurança aos agentes econômicos. A dívida bruta próxima do valor do PIB vai continuar crescendo e deve passar dos US$ 5 trilhões de 2020 para algo entre R$ 5,3 trilhões e R$ 5,8 trilhões este ano.

A crise sanitária aumentou as despesas do governo federal que alocou R$ 293 bilhões no programa de auxílio emergencial para enfrentamento da pandemia e outros R$ 78 bilhões em socorro a Estados e Municípios.”Não bastassem os efeitos devastadores sobre a saúde, a pandemia ainda irá desacelerar o crescimento potencial da economia, dificultando a redução da redução da miséria, onde ainda se encontram 27 milhões de pessoas ou 12,8% da nossa população”, observa Jorge Jatobá.

PERNAMBUCO E SEUS DESAFIOS

Um dos Estados onde a pandemia bateu forte, deixando mais de 10 mil mortes em menos de um ano, Pernambuco também sofreu perdas no PIB , com queda estimada em 2%, metade da retração nacional. Serviços e impostos tiveram índices negativos de -3,3% e -2,6% entre janeiro e novembro de 2020 em comparação com o mesmo período de 2019. Já a Agropecuária cresceu 12,9% e a indústria 0,2%.

O auxílio emergencial foi de grande valor para a economia pernambucana em particular para o comércio e serviços, especialmente nos pequenos municípios. Por aqui ele representou 36% da massa de renda do trabalhador, três vezes mais do que em São Paulo onde não passou dos 10% dos rendimentos. Para Tania Bacelar, o pior já passou. “O auge da queda do PIB no Estado se deu entre maio a junho do ano passado e a partir de julho ela foi sendo atenuada, trajetória que tende a seguir em 2021”, avalia a economista.

Um problema importante em Pernambuco é a dinâmica do mercado de trabalho. A taxa de desemprego, de 18,8% no terceiro trimestre, acentua o quadro de dificuldades enfrentado pelos trabalhadores. É maior do que a média brasileira (14,6%) e do que a do Nordeste (17,9%), só perde para a da Bahia que chegou a 20,7%. Já o Ceará está abaixo com 14,1%. No emprego formal, Pernambuco e a Bahia também apresentam baixas de -5%, cada um, de janeiro a dezembro de 2020. Aqui, o emprego formal não voltou ao nível pré- pandemia, como aconteceu para o total do Brasil. Os serviços de alimentação e alojamento lideraram a queda ( -12,5%).

Já a massa de rendimentos do trabalho das três maiores economias do Nordeste superam de longe a retração média nacional. Enquanto o Brasil teve uma redução de -2,6% de janeiro a setembro de 2020, no mesmo período Pernambuco registrou -10,0%, a Bahia – 2,9% e o Ceará -8%.

São resultados associados às perdas no volume de vendas dos serviços, o setor mais atingido na região e em Pernambuco, onde emprega 60% dos trabalhadores formais.. No acumulado de janeiro a novembro de 2020, em relação ao mesmo período de 2019, elas chegaram a 16,0% na Bahia, a 13,4% em Pernambuco e a 14,4% no Ceará, praticamente empatado com o índice regional de 14,2%.

De acordo com Tania Bacelar, o novo “normal” ainda será muito desafiador para diversas atividades que são importantes para Pernambuco, Estado que representa 2,7% do PIB Nacional. Entre elas estão o turismo, a produção cultural e os serviços prestados às famílias. ”O ritmo da vacinação será estratégico, e deve-se esperar um primeiro semestre muito difícil, especialmente sem políticas públicas de apoio”, pondera, pois Pernambuco está vindo de forte queda na massa de rendimentos do trabalho, que alimenta o consumo. “Em meio a um ambiente ainda marcado por dificuldades, o desafio de se reinventar prossegue para as empresas, mas Pernambuco tem ativos estratégicos para enfrentá-lo, como o ecossistema de inovação”, afirma Tania Bacelar.

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