Notícia

A dominância do curto prazo e dos grupos de interesse no Brasil

Jorge Jatobá (Artigo publicado no JC)
26 de Maio de 2026

26 - Mai

Precisamos renovar o país nas próximas eleições sem cair nos extremos da polarização

Muitos economistas consideram que, ao longo dos últimos 40 anos, o Brasil vem se apresentando ao mundo como um grande fracasso na economia, no desenvolvimento social e na política. Durante este período, o país não conseguiu escapar da sua condição de economia de renda média, não reduziu de forma contínua e substantiva a pobreza e as desigualdades sociais e regionais, investiu pouco em relação ao seu PIB e não se integrou expressivamente às cadeias mundiais de valor constituindo-se em uma economia ainda muito fechada em relação aos fluxos de comércio.. O país teve uma baixa e instável trajetória de crescimento econômico desde 1985, período caracterizado por fortes crises inflacionárias e recessões que deram lugar a mal concebidas políticas macroeconômicas à exceção, felizmente, do Plano Real de 1994. A instabilidade fiscal e dos preços, apesar do regime de metas de inflação, tem dado o tom ao longo desses anos. Assim, a política econômica de curto prazo é dominante. Falta a visão estratégica de longo prazo; políticas de Estado e não a dos governos de plantão.

Do ponto de vista político-institucional, a democracia brasileira é vulnerável a ataques como os de janeiro de 2023, as lideranças políticas do país marcadamente não se renovaram com brilhantismo e uma fração crescente delas se dedicou mais a defender sua permanência no poder e seus interesses corporativos do que os do Brasil e o dos brasileiros. Observe-se que o Congresso Nacional está se apropriando crescentemente de frações significativas do orçamento público por meio de emendas pouco transparentes e de destinação questionável com relação aos seus objetivos. As disfunções institucionais estão gerando conflitos entre os poderes, com danos aos interesses soberanos do país e os partidos políticos, em número excessivo, têm baixa representatividade entre os cidadãos e um conteúdo programático apenas formal e que, no cotidiano político, cede espaço a primárias polarizações ideológicas. A corrupção e o crime organizado se disseminaram e se enraizou nos três poderes a nível federal e estadual como bem o demonstra o caso do Banco Master. Em síntese, os interesses do Brasil são subalternos.

Para enfrentar esses desafios, iniciativas de governo, de curto prazo, não são suficientes. Precisa-se de políticas de Estado e de reformas (Administrativa, Previdenciária, Trabalhistas e Fiscal) que olhem, estrategicamente para o longo prazo. Programas e projetos com objetivos estratégicos e integrados para e entre os diferentes níveis da federação-União, Estados e Municípios- e com a participação dos diversos poderes de cada nível de governo e da sociedade organizada precisam ser concebidos e implementados. Os desafios são enormes e demandam propostas ousadas e compreensivas do ponto de vista político-institucional.

O Brasil já teve o Plano de Metas de JK na segunda metade dos anos 50 e, na época da ditadura, durante os anos 70, os planos nacionais de desenvolvimento. Muitos países que escaparam da armadilha da renda média como a China e Coreia do Sul, entre outros, elaboraram estratégias compreensivas de longo prazo baseadas na abertura da economia, na educação e no desenvolvimento tecnológico.

Alguns poucos planos estratégicos de desenvolvimento de longo prazo foram concebidos também por estados e municípios como o Pernambuco 2030 e o Recife 2035, entre outros, inclusive no Nordeste, mas ficaram nas prateleiras ou nos arquivos digitais. Planos desse timbre precisam ser permanentemente monitorados na sua execução e avaliados para serem atualizados e atingirem seus objetivos, e não esquecidos pelo governador de plantão porque foi concebido por seu antecessor a quem talvez tenha derrotado politicamente nas últimas eleições.

E politicamente, precisamos renovar o país nas próximas eleições sem cair nos extremos da polarização político-ideológica! Temos uma arma: o voto

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