PE resiste à pandemia com fragilidade no mercado de trabalho

Artigo postado originalmente no Movimento Econômico em 02/07/2021

O contexto de Pandemia de COVID-19, em escala global, também teve reflexos relevantes na economia de Pernambuco, que apresentou forte retração da demanda e oferta. Em relação ao produto interno bruto a retração em 2020 foi de -1,6% (enquanto o Brasil registrou uma queda mais acentuada de -4,1%).

Os dados do PIB dos três meses iniciais de 2021 indicam um crescimento de 1,6% da economia estadual, quando comparado ao mesmo período de 2020(taxa ligeiramente superior a economia brasileira que foi de 1,0%).Contribuiu para esta pequena, mas importante expansão, a variação de 14,2% da Agropecuária e de 6,7% do conjunto da Indústria, onde se destacou a taxa de 7,9% da Construção Civil, segmento duramente atingindo em 2020.A recuperação do setor industrial também pode ser constada pelos dados da produção física das indústrias de transformação (PIM-PF/IBGE), que apontam, no acumulado de janeiro a abril de 2021 em relação ao mesmo período de 2020,para um incremento de 9,4%.

Já os Serviços, ainda registraram taxa negativa de -0,4 no comparativo com o 1º trimestre de 2020, reflexo, sobretudo, de dificuldades associadas a maior parte da prestação de serviços privados. O Comércio expandiu 2,6%, já sugerindo efeitos de gradual flexibilização do funcionamento dos estabelecimentos. Por sua vez, os dados de volume de vendas no varejo (PMC/IBGE), indicam no período de janeiro a abril de 2021 em relação ao mesmo quadrimestre de 2020, a retomada de segmentos duramente atingidos pela pandemia em 2020, como o de Veículos, Motocicletas e Autopeças e a manutenção de elevado volume de vendas de segmentos que se mantiveram dinâmicos desde o início da pandemia, como o de Artigos Farmacêuticos, Médicos e Perfumaria.

Não obstante, estes sinais de resistência da economia de Pernambuco, dados do mercado de trabalho para os meses iniciais de 2021, demonstram, ainda, quadro de persistente e preocupante fragilidade.

Segundo a PNAD Contínua trimestral (IBGE), Pernambuco apresentou uma taxa de desocupação das pessoas de 14 anos ou mais no 1º trimestre de 2021 de 21,3%, contra 14,5%, no 1º trimestre de 2020. Parte da explicação pode estar na flexibilização de medidas restritivas promovidas no início deste ano, que implicaram em maior procura por emprego, resultando, assim, na elevação do desemprego. O estado registrou uma das maiores taxas de desemprego do Brasil, cuja média no trimestre foi de 14,7% (um recorde do número de desempregados: 14,8 milhões, onde Pernambuco contribuiu com 868 mil)

O estado também apresentou, no acumulado do 1º trimestre, queda de -8,4% da massa de rendimentos do trabalho das pessoas de 14 anos, com o Brasil retraindo, no mesmo período, -6,7%. Neste contexto, a questão do mercado de trabalho para Pernambuco, constitui-se em um dos pontos basilares para ser colocado na agenda, lembrando que a pandemia acabou acelerando processos que já vinham em curso no mundo como o uso crescente de recursos digitais e a exigência de novas qualificações e habilidades profissionais.

Valdeci Monteiro dos Santos é sócio da Ceplan Consultoria e professor da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap)

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