Serviços seguem com bons resultados mas varejo fecha o primeiro trimestre em queda

Artigo publicado originalmente no Movimento Econômico em 14 de Maio de 2022 e escrito por Ademilson Saraiva*

O IBGE divulgou resultados que registram a dinâmica do consumo no trimestre de 2022. Os dados são das Pesquisas Mensais do Comércio (PMC) e dos Serviços (PMS). No caso do comércio, o levantamento abrange segmentos do varejo tradicional, como hiper e supermercados, farmácias, móveis, equipamentos eletroeletrônicos, vestuário, papelarias, entre outros, além dos segmentos de materiais de construção e do segmento automotivo, que compõem o chamado varejo ampliado.

Economista fecomércio-PE
Ademilson Saraiva, é assessor econômico da Fecomércio-PE, . Foto: Maker Mídia

Para os serviços, destacam-se aqueles voltados ao uso pessoal – incluindo recorte específico sobre o desempenho de atividades turísticas –, além de atividades de logística, informação e comunicação, e de serviços voltados às empresas.

Em março, na comparação com o mês imediatamente anterior, Pernambuco registrou crescimento do volume de vendas tanto no comércio varejista quanto nos serviços. Entretanto, comparado ao primeiro trimestre de 2021, o resultado das vendas no varejo não foi favorável aos comerciantes.

Com crescimento de 3,8% em março, o varejo ampliado tenta se recuperar da queda no mês anterior, quando recuou 14,0% em relação a janeiro, influenciado principalmente por retração no segmento automotivo. No caso do varejo restrito, a variação em março foi de 2,5%, levando o volume de vendas de volta ao patamar pré-pandemia, após um leve declínio ao longo do segundo semestre de 2021.

Na comparação anual, considerando o acumulado de janeiro a março, as vendas do varejo restrito registraram queda de 4,5% em Pernambuco, enquanto o Brasil conseguiu alcançar resultado positivo, embora ainda tímido, de +1,3% no mesmo período. No agregado do varejo ampliado, Pernambuco ficou praticamente estagnado no primeiro trimestre de 2022 em relação ao mesmo intervalo de 2021, com variação de apenas +0,3%. No Brasil, por sua vez, o resultado foi também modesto, com variação de 1,1.

Números-índices dessazonalizados, do volume de vendas do varejo e do volume de serviços prestados em Pernambuco – fevereiro/2020 a março/2022 (base: fevereiro/2020 = 100) – Fonte: IBGE (PMS e PMC)

Os serviços, por sua vez, seguem colhendo um bom resultado após o fim das restrições mais severas, mas se observa também um ritmo mais lento se comparado aos primeiros meses do ano passado. Entre fevereiro e março, o setor avançou 2,4%, com importante contribuição das atividades relacionadas ao transporte e atividades administrativas e técnicas, em função da retomada mais intensa de atividades, como as educacionais, em 2022.

A pesquisa dos serviços também observa um recorte específico relacionado ao turismo. Em março, após o recuo de 6% em fevereiro, o volume de serviços das atividades turísticas cresceu 4,5%.

Embora esse conjunto de atividades tenha apresentado um salto extraordinário no primeiro semestre de 2021, em comparação à fase mais crítica da pandemia no ano anterior, os resultados do primeiro trimestre de 2022 levaram o índice de atividades turísticas a um nível pouco abaixo do observado no período pré-pandêmico.

Na comparação anual, Pernambuco apresentou crescimento de 14% no primeiro trimestre, resultado expressivo, situando-se acima do desempenho nacional, que registrou uma taxa de crescimento acumulada em 9,4%.

Já os serviços turísticos avançaram com menos intensidade no primeiro trimestre em relação à média nacional: 33,9% no estado, contra 42,2% no país. A perspectiva é de que o segundo trimestre melhore os resultados, considerando a flexibilização do uso de máscaras e a maior possibilidade de realização de eventos fechados, além do retorno das festividades juninas, que são relevantes para o turismo no estado.

Taxas de variação acumulada no ano, do volume de vendas do varejo e do volume de serviços prestados – 1° trimestre 2022 (base: 1° trimestre 2021) – Fonte: IBGE (PMS e PMC)

Os preços mais elevados e as condições de crédito menos favoráveis são fatores que explicam o desempenho cada vez mais tímido do comércio em 2022. No caso de hipermercados e supermercados, destaca-se a necessidade de os consumidores reduzirem o volume de compras ou ajustarem a sua cesta mensal para continuar comprando diante do aumento constante no preço dos alimentos, o que acaba impactando no volume de vendas do segmento.

Já no caso de móveis e eletrodomésticos, os resultados configuram tanto uma tendência ao ajuste do desempenho apresentado pelo segmento no primeiro ano de pandemia – quando as vendas cresceram substancialmente, apoiadas pela disponibilidade do auxílio emergencial e pela necessidade de isolamento social – quanto as condições de crédito mais caro e preços mais altos para as famílias.

O destaque positivo do varejo no primeiro trimestre ficou com os segmentos de ‘Tecidos, vestuário e calçados’, ‘Livros, jornais, revistas e papelaria’ e ‘Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação’, beneficiados com a retomada mais intensa de atividades educacionais e serviços de gestão empresarial em 2022.

Nos serviços, as atividades relacionadas à prestação de serviços às famílias seguem em ritmo de recuperação, com crescimento de 25,3% no primeiro trimestre em relação ao ano anterior, estimulada pela maior flexibilidade do uso de máscaras em ambientes fechados e do aumento da circulação de pessoas. Tal ambiente deve continuar favorecendo essas atividades ao longo do ano, especialmente as ligadas ao lazer, turismo e entretenimento, trazendo boas expectativas para o período junino no estado. Um fator limitante, contrário a essa tendência, é o aumento contínuo de preços no comércio, especialmente em combustíveis, energia e alimentação, que seguem apertando o orçamento familiar e tendem a reduzir a renda disponível para a demanda por serviços.

Ademilson Saraiva é economista, sócio da Ceplan Consultoria Econômica e assessor econômico da Fecomércio-PE

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