Por Jorge Jatobá, Economista e Sócio CEPLAN

Artigo originalmente publicado no Jornal do Commercio em 08 de setembro de 2020.

Este artigo honra a memória de Roberto Cavalcanti de Albuquerque, cuja passagem se deu, aos 81 anos, no dia 29/08. Escrevo sobre a pessoa que me estimulou a estudar economia, entender seu funcionamento, identificar suas falhas e propor políticas para transformá-la.

Roberto foi um intelectual brilhante, um escritor plural, que deixou um legado não só pelos seus textos econômicos, mas por um conjunto de livros, artigos e ensaios que se inscrevem no âmbito da história, da literatura, e das ciências sociais. Seu último livro, publicado no ano passado, “Uma Breve História do Humanismo no Brasil”, ele me enviou após telefonema, última e gentil conversa que mantivemos antes de sua partida.

Roberto, como professor, me ensinou fundamentos de economia em curso preparatório para programa de verão na Universidade de Harvard, em 1967, e também Economia Internacional na Faculdade de Ciências Econômicas da UFPE. Em 1968, quando eu era estudante concluinte, convidou-me para ser seu assistente de Macroeconomia no Departamento de Economia da UNICAP. Minha vida como professor iniciou-se naquele ano, estendendo-se por quase 40 anos.

Recém-formado, hesitei entre ganhar experiência profissional como economista ou me preparar para a vida acadêmica. Roberto foi imperativo: — Jorge, faça sua pós-graduação nos EUA e só me volte com o doutorado. Você tem vocação acadêmica e seu futuro como professor e economista é evidente”.

Essa última frase, ele escreveu na dedicatória que me fez no livro “Coronel, Coronéis” onde, em coautoria com Marcos Vilaça, contribuiu com um brilhante ensaio sobre os velhos líderes regionais da política pernambucana, entre eles, seu pai Emídio Cavalcanti, médico e político de Vertentes, homem visionário e generoso como o filho.

Roberto, como gestor, deu uma enorme contribuição à formulação e execução de políticas públicas nos governos estadual e federal nos anos 1970 e 1980. Em 1991, com João Paulo dos Reis Velloso, criou o Fórum Nacional por meio do Instituto Nacional de Estudos Estratégicos (INAE), lócus de debates qualificados sobre o desenvolvimento brasileiro.

Roberto, como intelectual, ganhou, em 2007, o prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras (ABL) pelo conjunto de sua obra, um reconhecimento pela contribuição às letras, à cultura e às ciências sociais. Como pessoa, era gentil no trato, elegante no vestir, avesso ao estrelismo e claro e sereno ao expressar, sem radicalismos, suas ideias e opiniões.

Todos nós, brasileiros de Pernambuco e de todos os recantos, amigos e familiares lhe somos gratos por seu inestimável legado intelectual e pessoal.

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