Jorge Jatobá

Há muita inteligência e sabedoria desperdiçadas entre os milhões de analfabetos deste país.  Seu Marcos, 49 anos, ganha a vida com jardinagem e comércio de plantas em município da Mata Sul de Pernambuco. Competente, Seu Marcos foi cortador de cana e também migrante de retorno de São Paulo para onde viajou quando tinha 19 anos.

Seu Marcos é analfabeto, humilde e sábio. Seus pais, com muitos filhos, também não eram alfabetizados. Em conversa conosco sobre a difícil situação socioeconômica do país que também atingiu os seus negócios, Seu Marcos afirmou que o maior problema do Brasil é a “riqueza mal partida”, sua forma expressar o conceito de desigualdade. Ele tem também a percepção de que uma das causas da desigual repartição da riqueza é o fato de que, muitos como ele, não tiveram a oportunidade de se educar. A partir de sua experiência, teve um único filho e o educou até entrar na Universidade. Portanto, compreendeu que a maneira mais rápida de diminuir a distância entre a condição socioeconômica da sua família e o da média da sociedade seria pela via da educação.

No Brasil, os 1% mais ricos detêm 28,8% da renda, uma das maiores desigualdades do mundo. Entre as muitas dimensões da desigualdade uma delas se destaca: a do conhecimento. No Brasil, 40% da desigualdade de renda é explicada por variações entre níveis educacionais. Portanto, a melhor forma e, a mais rápida, de reduzir a desigualdade é melhorar o acesso, desde a primeira infância, à educação de qualidade. Todavia, educação infantil e fundamental no Brasil é atribuição constitucional dos municípios. E a grande maioria dos municípios brasileiros tem: i) prefeitos pouco comprometidos com a boa qualidade da educação; ii) secretários de educação mal preparados para a função; iii) baixa qualidade da gestão educacional; iv) professores insuficientemente qualificados e remunerados, e; v) diretores de escola despreparados e indicados politicamente. Estes fatores explicam o mal desempenho do Brasil no PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), onde ocupamos sempre os últimos lugares, sobretudo em Português e Matemática.

Isso significa que União e Estados têm que estar cada vez mais próximos dos municípios para melhorar um dos principais pilares da educação básica sem a qual não democratizaremos o acesso às universidades e melhoraremos a distribuição de renda do país. Sem educação, como diz Seu Marcos, a riqueza será sempre “mal partida”

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Jorge Jatobá é Economista



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