Por Jorge Jatobá – Artigo publicado originalmente no Jornal do Commercio de 09 de fevereiro de 2021

A crise sanitária atingiu a economia brasileira já bastante fragilizada por anos de estagnação (2014), recessão (2015-2016) e de baixo crescimento (2017-2019). Além disso, o país já estava, em 2019, altamente endividado (Dívida/PIB de 74,3%) como resultado de desequilíbrios fiscais. Os gastos públicos realizados e 2020 para mitigar os efeitos econômicos e sanitários da pandemia evitaram que a queda no nível de atividade econômica (-4,2% até novembro) fosse pior, mas elevaram a relação Dívida Bruta/PIB para 89,3%. Uma variação de quinze pontos percentuais;

Com este legado, pergunta-se qual será o cenário para a economia brasileira em 2021? No Análise CEPLAN, “O que está por vir em 2021”, apresentado na FIEPE sob patrocínio do BNB e da Surfix, em parceria com o Movimento Econômico, afirmamos que 2021 será melhor do que em 2020, mas com incertezas e desafios. A principal incerteza resulta do diferencial dos ritmos de avanço da pandemia e da vacinação. Se formos bem-sucedidos no controle do repique da contaminação/mortes e se tivermos disponíveis as vacinas para acelerar o processo de imunização, é possível que possamos crescer, em 2021, entre 2,6%, no cenário mais pessimista, e 3,8%, no mais otimista. Todavia, teremos um segundo semestre de 2021 bem melhor do que o primeiro, o qual, por sua vez, poderá ser pior do que o semestre passado. A segunda incerteza dependerá da viabilidade, fiscal e política, de eventuais medidas compensatórias destinadas a mitigar os efeitos adversos do repique da pandemia sobre famílias e empresas. Destacamos o possível ressurgimento do auxílio emergencial, demandado por diversos atores políticos. O desafio será conciliar o ajuste fiscal com a necessidade de proteger os grupos mais vulneráveis.

Outra incerteza relaciona-se ao cenário político de 2021, ano pré-eleitoral, quando novos fatos podem mudar o ritmo de crescimento da economia e do avanço das reformas e de outras pautas importantes para melhorar, no médio e longo prazo, o ambiente econômico e fiscal. Neste sentido, os resultados das eleições para presidências da Câmara e do Senado foram positivos para o governo. O protagonismo do centrão, todavia, torna o Presidente refém desse heterogêneo grupo político que se move, entre outros interesses, para conquistar nacos de poder. O desafio é navegar em meio às instabilidades e infidelidades desse novo presidencialismo de coalizão para aprovar as reformas, que, se forem frustradas, vão deteriorar, no curto prazo, as expectativas dos agentes econômicos para uma retomada segura e sustentável da economia.

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